A Candidatura

A Pampulha integra a lista indicativa brasileira para Patrimônio Cultural da Humanidade desde 1996, mas o processo foi retomado pela Prefeitura de Belo Horizonte em 2012. Por ter grande significado para as gerações presentes e futuras da humanidade, sendo um marco inovador da história da arquitetura, o Conjunto Moderno da Pampulha se torna um candidato. Por lá, os principais nomes brasileiros das artes e arquitetura do século XX deixaram a sua assinatura. Dentre eles estão o arquiteto Oscar Niemeyer, o paisagista Roberto Burle Marx e o pintor Candido Portinari.

O Conjunto Moderno da Pampulha

O Conjunto Moderno da Pampulha inclui os edifícios e jardins da Igreja São Francisco de Assis, Cassino (atual Museu de Arte da Pampulha), Casa do Baile (atual Centro de Referência em Urbanismo, Arquitetura e Design de Belo Horizonte), Iate Golfe Clube (hoje Iate Tênis Clube), construídos quase simultaneamente entre 1942 e 1943. Além desses, a residência de Juscelino Kubitschek (atual Casa Kubitschek), construída em 1943, também integra o Conjunto, que se completa com o espelho d’água e a orla da Lagoa da Pampulha no trecho que articula as diferentes edificações e lhes dá unidade.

Entenda as zonas de amortecimento

As zonas de amortecimento foram delimitadas para garantir, no entorno do Conjunto Moderno da Pampulha, a unidade paisagística que confere referência histórica ao lugar. Dessa forma, será preservado o controle de áreas públicas de uso coletivo e mantido o compromisso de que futuras construções não impeçam a integridade visual do bem candidato.

Critérios para a candidatura

Para poder se candidatar a Patrimônio Cultural da Humanidade, o Conjunto Moderno da Pampulha tem que se encaixar em três critérios principais definido pela Unesco.

  1. É importante que o bem candidato represente “uma obra-prima do gênio criativo humano”.
  2. ‍É necessário que o bem protegido exiba “um evidente intercâmbio de valores humanos, ao longo do tempo ou dentro de uma área cultural do mundo”.
  3. ‍Por fim, o bem deve “ser um exemplar excepcional de um conjunto arquitetônico ou tecnológico ou paisagem que ilustre estágios significativos da história humana”.

Você sabia que o Conjunto Moderno da Pampulha era tudo isso?







O Conjunto Moderno da Pampulha representa uma síntese dos preceitos da nova arquitetura e da forma de viver anunciadas nas primeiras décadas do século XX nas Américas. Por isso, é um grande representante de um capítulo da história mundial da arquitetura. Além disso, integra várias formas de expressão artística e de movimentos culturais universais e locais.

O Conjunto é, também, um exemplo de interação universal que resulta em apropriações particulares desse diálogo intercultural e que, depois, passou a influenciar as práticas arquitetônicas e culturais em várias partes do mundo. O mais importante para a história da arquitetura, no entanto, é a inovação e superação da formulação inicial Moderna, representada pela reação à mera racionalidade construtiva, com o uso da curva como expressão da paisagem e da cultura brasileiras.

A integração do Conjunto com a natureza local e à paisagem ao seu redor, as inovações arquitetônicas e paisagísticas são representações da maneira inovadora com que os recursos formais e tecnológicos da época foram utilizados, o que unifica a expressividade de conjunto ali gerada.

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Obra de arte total

A concepção do Conjunto Moderno da Pampulha, à época, tinha o objetivo de gerar uma “obra de arte total”, integrando as obras de arte aos edifícios e estes à paisagem. O caráter de obra-prima do Conjunto se dá pela combinação entre arquitetura, paisagismo e diversas formas de arte: pintura, escultura, azulejaria, mosaico.

O grande espelho d’água formado pela Lagoa da Pampulha funciona como elemento que articula os edifícios, dando mais força às relações visuais que existem entre eles. O local para a construção de cada edifício, de forma adjacente ao lago, tinha o objetivo de garantir que as edificações são âncoras necessárias para a atração desse novo lugar que estava sendo construído.

O toque final da sensação de unidade do Conjunto se dá com a obra de Burle Marx, que ao usar a vegetação nativa como fundamento do paisagismo, faz com que os jardins sejam perfeitamente integrados à paisagem local.

MARCÍLIO GAZZINELLI

Museu de Arte da Pampulha

MARCÍLIO GAZZINELLI

Igreja São Francisco de Assis

MARCÍLIO GAZZINELLI

Casa do Baile 

Casa Kubitschek

RAFAEL TEIXEIRA