CONJUNTO MODERNO DA PAMPULHA

O Conjunto Moderno da Pampulha, obra-prima que leva a assinatura de importantes nomes da arquitetura e das artes, como Oscar Niemeyer, Roberto Burle Marx e Cândido Portinari, e principal cartão-postal da cidade de Belo Horizonte, é, desde 2016, Patrimônio Cultural da Humanidade, título concedido pela Unesco.

O Conjunto inclui os edifícios e jardins da Igreja de São Francisco de Assis (Igrejinha da Pampulha), o Cassino (atual Museu de Arte da Pampulha), a Casa do Baile (atual Centro de Referência em Urbanismo, Arquitetura e Design de Belo Horizonte) e o Iate Golfe Clube (hoje Iate Tênis Clube), construídos quase simultaneamente entre 1942 e 1943, além do espelho d’água e a orla da Lagoa. O conjunto também contempla a Praça Dino Barbieri (em frente à Igreja São Francisco de Assis) e a Praça Alberto Dalva Simão (próxima à Casa do Baile), ambas projetadas por Burle Marx.

A Casa Kubitschek, antiga moradia do presidente Juscelino Kubitschek, também ganha destaque dentro do Conjunto Moderno. Ela também foi projetada por Niemeyer em 1943, com intuito de ser uma casa de campo.

As edificações têm grande significado para as gerações presentes e futuras da humanidade, pois é um marco vivo, íntegro e autêntico da história da arquitetura mundial, da história brasileira e das Américas.

O Conjunto Moderno da Pampulha

Em 1936, na administração do prefeito Otacílio Negrão de Lima, iniciou-se o represamento do ribeirão Pampulha para construção da barragem da Pampulha, inaugurada em 1943, cuja finalidade era fazer o controle das cheias dos tributários e promover o abastecimento da cidade.

Para que se realizasse a intenção governamental de se criar junto ao lago um novo polo de atração na região de Belo Horizonte, não bastava a implantação de edifícios com grande qualidade arquitetônica a oferecer novos atrativos urbanos para a cidade que se expandia. Mais do que isto, esperava-se que o conjunto edificado proposto trouxesse a marca de uma vanguarda que se queria associar ao local.

No decorrer dos anos 40, como marco da modernidade belohorizontina, foi implantado o conjunto urbanístico e arquitetônico da Pampulha, com projetos arquitetônicos originais do jovem arquiteto Oscar Niemeyer. Considerado um ícone da modernidade e das perspectivas desenvolvimentistas de Juscelino Kubitschek, a Pampulha promoveu a interação entre a arquitetura, artes plásticas e paisagismos.

Estavam no projeto a Igreja de São Francisco de Assis, o Cassino, a Casa do Baile e o Iate Golfe Clube, construídos quase simultaneamente entre 1942 e 1943, além do espelho d’água e a orla da Lagoa. Também faziam parte do conjunto idealizado para a Pampulha o Parque Vereda, a Ilha dos Amores, a Praça Santa Rosa – hoje Praça Dalva Simão – e o espaço complementar ao Iate Golfe Clube, onde se situaria o campo de golfe propriamente dito, hoje Jardim Zoológico de Belo Horizonte.

À arquitetura de Oscar Niemeyer, juntaram-se a pintura de afrescos e azulejos de Cândido Portinari, as esculturas de Ceschiatti, Zamoiski e José Pedrosa, o painel de Paulo Wernech e o paisagismo de Roberto Burle Marx. Com a Pampulha, configurou-se uma das mais importantes correntes da arquitetura moderna a serviço da beleza plástica da qual Niemeyer foi o mestre.

O título da Unesco

O Conjunto Moderno da Pampulha recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, conferido pela UNESCO, em julho de 2016, em Istambul, Turquia. Com a conquista deste título, a importância cultural do Conjunto Moderno da Pampulha passa a ser reconhecida mundialmente.

Fazer parte da lista do patrimônio da humanidade, traz crescimento social e ambiental, reforça nossa identidade cultural e possibilita diversos acordos de cooperação entre todos os países participantes para promoção do patrimônio cultural e da diversidade cultural, além de ampliar o compromisso de cuidado e conservação com o patrimônio tombado.

O Conjunto Moderno da Pampulha é de grande significado para as gerações presentes e futuras da humanidade, apresentando-se como marco vivo, íntegro e autêntico da História da Arquitetura mundial e da história brasileira e das Américas.

A Pampulha está na lista indicativa do Brasil para o Patrimônio Mundial desde 1996 e sua candidatura à Patrimônio Cultural da Humanidade foi retomada pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura, em dezembro de 2012.

No dia 12 de dezembro de 2014 o Dossiê da candidatura do Conjunto Moderno da Pampulha ao título de Patrimônio Cultural da Humanidade foi entregue ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O documento com mais de 500 páginas foi remetido à Unesco no mesmo mês para a oficialização da candidatura.

Em março de 2015, a Unesco comunicou que a candidatura havia sido aceita pela entidade. O Dossiê foi considerado completo pela Unesco, atendendo a todos os requisitos técnicos. A candidatura da Pampulha foi a única proposta brasileira aceita pela Unesco naquele momento. Com o aceite da candidatura dado pela Unesco, no dia 19 de março de 2015, foi criada uma Comissão de Gestão, com o objetivo de coordenar e articular ações, projetos e intervenções dos diversos órgãos públicos, bem como iniciativas do setor privado, na Região da Pampulha.

Em setembro de 2015, a Prefeitura de Belo Horizonte deu posse ao Comitê Gestor do Conjunto Moderno da Pampulha. O grupo é responsável por promover a gestão compartilhada e a articulação entre as políticas municipal, estadual e federal e monitorar a efetividade das ações governamentais de proteção ao patrimônio.

De 28 de setembro a 1º de outubro de 2015, Belo Horizonte recebeu a missão de avaliação do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS). Durante quatro dias, a arquiteta venezuelana Maria Eugênia Bacci cumpriu uma recheada agenda na cidade com o objetivo de colher impressões e conhecer detalhes da candidatura do Conjunto Moderno da Pampulha a Patrimônio Cultural da Humanidade. A arquiteta visitou cada um dos espaços que integram o Conjunto Arquitetônico: o Museu de Arte da Pampulha, a Casa do Baile, a Casa Kubitschek, a Igreja São Francisco de Assis e o Iate Tênis Clube. Não só visitou, como se debruçou atentamente sob cada um deles e seu entorno.

Após a realização da Missão de Avaliação e do Painel de Especialistas do ICOMOS em 2015, foi solicitada a revisão do Dossiê da Candidatura com a inclusão de um Plano de Intervenção para o Conjunto. Para os especialistas do ICOMOS, o perímetro de tombamento proposto deveria conter a concepção inicial do arquiteto Niemeyer para os quatro edifícios que conformavam o Conjunto da Pampulha como complexo de lazer e turismo. A revisão do perímetro de tombamento também deveria incluir o paisagismo de Burle Marx que juntamente com os edifícios conformam o projeto concebido originalmente. Assim, foram incluídas as áreas da Praça Dino Barbieri (em frente à Igreja São Francisco de Assis) e da Praça Alberto Dalva Simão (próxima à Casa do Baile), ambas projetadas por Burle Marx.

Anúncio oficial – 17 de julho de 2016

No dia 17 de julho de 2016, em Istambul, na 40ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, representantes dos cerca de 200 países que compõem a Unesco se reuniram e, em conjunto, decidiram por conceder ao Conjunto Moderno da Pampulha o título de Patrimônio Cultural da Humanidade.

Obra de arte total

A concepção do Conjunto Moderno da Pampulha, à época, tinha o objetivo de gerar uma “obra de arte total”, integrando as obras de arte aos edifícios e estes à paisagem. O caráter de obra-prima do Conjunto se dá pela combinação entre arquitetura, paisagismo e diversas formas de arte: pintura, escultura, azulejaria, mosaico.

O grande espelho d’água formado pela Lagoa da Pampulha funciona como elemento que articula os edifícios, dando mais força às relações visuais que existem entre eles. O local para a construção de cada edifício, de forma adjacente ao lago, tinha o objetivo de garantir que as edificações são âncoras necessárias para a atração desse novo lugar que estava sendo construído.

O toque final da sensação de unidade do Conjunto se dá com a obra de Burle Marx, que ao usar a vegetação nativa como fundamento do paisagismo, faz com que os jardins sejam perfeitamente integrados à paisagem local.

MARCÍLIO GAZZINELLI

Museu de Arte da Pampulha

MARCÍLIO GAZZINELLI

Igreja São Francisco de Assis

MARCÍLIO GAZZINELLI

Casa do Baile 

Casa Kubitschek

RAFAEL TEIXEIRA